Por causa dos medicamentos comecei a sofrer do estômago. É mais uma caminhada para o fundo, onde acabarei por me atolar, não se morto, mas completamente incapacitado. Tenho muita azia, uma coisa ácida irritante, muitas flatulências. È outra frente sofrimento que se abre.
Ontem ao sair do carro para ir à piscina, um pé ficou preso nos cordões soltos do sapato e estatelei-me no chão. Já nem é a dor física que me incomoda pois ficam-me a doer ombro e pulso. O que doi e angustia é este terror que me acompanha quando caminho. Apetece-me ficar sentado, sem me mexer, exigindo que à minha volta todos me ajudem e se preocupem comigo. É um enorme desespero, uma grande agonia por tudo isto que me vai acontecendo. Interrogo-me, porquê eu. Sim, eu, que sempre procurei ser um bom chefe de família, pai, esposo e profissional.
Não mereco esge destino quando vejo por aí outros, uns bons estupores, que levam uma vida gaiteira. Há pouci dei por mim a consultar no google o preços das cadeiras de rodas eléctricas. Triste sina.
Até Bater no Fundo
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
Vivo num corpo encharcado em maleitas. Hoje está-me a incomodar particularmente o "lixo" nos olhos. Ele flutua à minha frente em partículas muito pequenas, mínimas, mas o suficente para me incomodar a leitura no ecran do computador.
E nada há a fazer. Como nada há a fazer com a artrose que me ataca no ombro direito, como nada há a fazer com o facto da minha perna continuar a reagir mal à prótese. Inflama, dificulta-me a pouca marcha que faço. Quando tento levantar-me é difícil. Tenho a perna presa, para não cair no chão, tenho que a esticar várias vezes. Apoio-me no braço que tem a artrose (ganho depois da operação), tenho dores agudas.
Assim vou-me afundando, manietado por muitas maleitas, degradantes e cada vez mais incapacitantes. Temo pela qualidade do meu futuro, as perspectivas estão longe de ser festivas.
Não foi para isto que fui operado - um pouco contrariado - há pouco mais de um ano. Um pouco contrariado, digo bem. Por minha iniciativa nunca o faria, não fosse a insistência diária e obssessiva da Ana Maria. Foi para meu bem? Não tenho dúvidas. Mas poderia ser um pouco mais moderada, dar-me espaço e tempo a que eu pensasse melhor. A sua insistência sufocava-me. O resultado aqui está. Estou terrrivelmente pior do que há um ano. O dormir deixou de ser aquele momento de repouso agradável que eu tanto prezo.
Também psicologicamente vivo momentos de grande desencanto. O sonho, o devaneio, estão-me fisicamente proibidos. E isto, possivelmente, ainda é o mais dramático na situação que vivo. Eu queria um futuro que fosse além do dia-a-dia vazio e sem objectivos. Se vou ao café, à fisioterapia, ao Continenete, acompanha-me o drama de poder cair. Em cada passo que dou, meço o esforço, o trajecto, as armadilhas, o chão molhado, um degrau imperceptível, alguém que venha contra mim.
Gostava ter uma autonomia física -não estou a pedir muito- que me possibilitasse caminhar sem peias e sem canadianas, ir ao teatro ao Porto, ir a apresentação de livros, a conferências. Viajar na autocaravana por muitos dias, fazer a viajem à Noruega o meu (pequeno) sonho de adolescência.
Estar-me vedado o sonho é o que me custa mais.
E nada há a fazer. Como nada há a fazer com a artrose que me ataca no ombro direito, como nada há a fazer com o facto da minha perna continuar a reagir mal à prótese. Inflama, dificulta-me a pouca marcha que faço. Quando tento levantar-me é difícil. Tenho a perna presa, para não cair no chão, tenho que a esticar várias vezes. Apoio-me no braço que tem a artrose (ganho depois da operação), tenho dores agudas.
Assim vou-me afundando, manietado por muitas maleitas, degradantes e cada vez mais incapacitantes. Temo pela qualidade do meu futuro, as perspectivas estão longe de ser festivas.
Não foi para isto que fui operado - um pouco contrariado - há pouco mais de um ano. Um pouco contrariado, digo bem. Por minha iniciativa nunca o faria, não fosse a insistência diária e obssessiva da Ana Maria. Foi para meu bem? Não tenho dúvidas. Mas poderia ser um pouco mais moderada, dar-me espaço e tempo a que eu pensasse melhor. A sua insistência sufocava-me. O resultado aqui está. Estou terrrivelmente pior do que há um ano. O dormir deixou de ser aquele momento de repouso agradável que eu tanto prezo.
Também psicologicamente vivo momentos de grande desencanto. O sonho, o devaneio, estão-me fisicamente proibidos. E isto, possivelmente, ainda é o mais dramático na situação que vivo. Eu queria um futuro que fosse além do dia-a-dia vazio e sem objectivos. Se vou ao café, à fisioterapia, ao Continenete, acompanha-me o drama de poder cair. Em cada passo que dou, meço o esforço, o trajecto, as armadilhas, o chão molhado, um degrau imperceptível, alguém que venha contra mim.
Gostava ter uma autonomia física -não estou a pedir muito- que me possibilitasse caminhar sem peias e sem canadianas, ir ao teatro ao Porto, ir a apresentação de livros, a conferências. Viajar na autocaravana por muitos dias, fazer a viajem à Noruega o meu (pequeno) sonho de adolescência.
Estar-me vedado o sonho é o que me custa mais.
domingo, 11 de agosto de 2013
Tenho pensado muito no que tem sido a minha queda física dede que fui operado a 25 de Julho de 2013 no hospital particular. Por essa altura e durante alguns meses tinha a cabeça cheia de projectos. Sem o empecilho da perna doente e muito dorida podia caminhar sem grandes entraves. Imaginava-me numa viagem por Cuba, de ponta a ponta, sonhava com uma ida á Noruega, um sonho antigo, de autocaravana. Aos setenta anos, rejuvenescia. Um ano depois, a realidade cai-me em cima da cabeça. Estou bem pior do que estava antes da operação. A perna continua a inchar e a doer-me. POr cuasa das canadianas tenho uma artrose no ombro direito.Quando me mexo ou caminho, a prótese faz um barulho sinistro.
Vejo o meu futuro através de uns óculos negros. Dentro de mim já cabe a esperança, não tenho nada que justifique o levantar pela manhã. Nos momentos de maior tristeza, como está a contecer agora, desesjo que não tivesse recuperado do estado de insconsciência em que caí durante três dias após a operação.
Queria ter alguém a meu lado que me acarinhasse, se preocupasse visivelmente comigo. Não tenho com quem desabafar e a Ana Maria tem apenas uma única preocupação: os netos. Nada mais existe.
Sempre fiquei em segundo plano,isto desde os tempos em que ela dava aulas: "os meus colegas é que são uns gajos porreiros" afirmava repetidamente.
A minha companhia só servia para bombo da festa nos momentos em que ela tinha crises de neurastenia.
Triste sina a minha. Mas na verdade, se as coisas chegaram onde chegaram, em que me não é dado nenhum relevo ou importância, a culpa é minha. Só minha! Nunca dei valor a mim próprio, preocupado e manter a harmonia familiar. Oh, pudesse eu voltar atrás!
Vejo o meu futuro através de uns óculos negros. Dentro de mim já cabe a esperança, não tenho nada que justifique o levantar pela manhã. Nos momentos de maior tristeza, como está a contecer agora, desesjo que não tivesse recuperado do estado de insconsciência em que caí durante três dias após a operação.
Queria ter alguém a meu lado que me acarinhasse, se preocupasse visivelmente comigo. Não tenho com quem desabafar e a Ana Maria tem apenas uma única preocupação: os netos. Nada mais existe.
Sempre fiquei em segundo plano,isto desde os tempos em que ela dava aulas: "os meus colegas é que são uns gajos porreiros" afirmava repetidamente.
A minha companhia só servia para bombo da festa nos momentos em que ela tinha crises de neurastenia.
Triste sina a minha. Mas na verdade, se as coisas chegaram onde chegaram, em que me não é dado nenhum relevo ou importância, a culpa é minha. Só minha! Nunca dei valor a mim próprio, preocupado e manter a harmonia familiar. Oh, pudesse eu voltar atrás!
domingo, 4 de agosto de 2013
As suas maleitas, meu amigo.
Senhor Orlando, caro amigo,
oh quanto vale uma amisade! Uma serena amisade, fiel e infalível.
Se bel julgo conhecer o meu amigo, é longa a lista das agruras que lhe minam o corpo, vá deixe que lhe diga e repita que há gentinha que está bem pior que o meu amigo, oh senhor Orlando (Já sei que não gosta que o tratem por sr. Barros porque tal designação está reservada - na sua memória - ao senhor seu pai.
Enumeremos as maleitas físicas que afectam o meu amigo, já que das psicológicas e intelectuias vai o meu amigo de vento em popa, para a idade que tem.
Coçamos pelos pezinhos? O meu amigo é que manda -isto é uma forma circusntancial de falar.
1- Incham-lhe os pés, os dois que é para nenhum se ficar a rir.
2- Inflama-lhe a perna direita, a da prótese. Há sempre o risco do meu amigo, aqui damos a palavra douta ao médico, de você sofrer uma tromboflebite. Já lá andou perto, já lá andou perto.
3- A pernoca esquerda tem menos força por causa de um longínquo e quase imperceptível AVC. Depois com o alongar da idadezinha e das gorduras que o meu amgo foi acumulando, a coisa teve repercussões dramáticas. Desembocou numa cirurgia para colocar uma prótese e que só lhe tem trazido trabalhos, sustos e canseira.
3- Da prótese, para já, estamos conversados. Avancemos, isto, subamos. O estômago está mal por causa dos anti-inflamatórios. Passa mal o meu amigo, você que dizia com orgulho que o seu estomagozinho até digeria ferro.
4- Continuemos a subir. Por causa das canadianas foi o meu amigo contemplado com uma artrose no ombro direito (para já, o esquerdo está a fazer ameaços). Dorme mal, tem dores nocturnas, acordas muitas vezes de noite. O soninho, o soninho, meu amigo e senhor Orlando, que era a coisa mais sagrada para si, foi à viola. Só quando morrer. Será. mas esperemos que isso não seja para já.
5- Tem abelhas nos dos ouvidos que zumbem como uma colmeira.
6- Lixo nos olhos que o não deixam ver bem.
7- O meu amigo não considera os seus oitenta quilos uma maleita. Pelas minhas contas tem dez quilos a mais, não vai morrer de obesidade mórbida, descanse, mas a dormir há-de ter a sua apeneiazinha. Que faz estragos, oh se faz!
Temos mais que falar? Certo. O seu estado de espírito, já sei. As ralações, as suas apoquentações, as suas tristezas e a sensaçãozinha de abandono. Mas isso são outros voos. Olhe, meu amigo, ficam para amanhã.
oh quanto vale uma amisade! Uma serena amisade, fiel e infalível.
Se bel julgo conhecer o meu amigo, é longa a lista das agruras que lhe minam o corpo, vá deixe que lhe diga e repita que há gentinha que está bem pior que o meu amigo, oh senhor Orlando (Já sei que não gosta que o tratem por sr. Barros porque tal designação está reservada - na sua memória - ao senhor seu pai.
Enumeremos as maleitas físicas que afectam o meu amigo, já que das psicológicas e intelectuias vai o meu amigo de vento em popa, para a idade que tem.
Coçamos pelos pezinhos? O meu amigo é que manda -isto é uma forma circusntancial de falar.
1- Incham-lhe os pés, os dois que é para nenhum se ficar a rir.
2- Inflama-lhe a perna direita, a da prótese. Há sempre o risco do meu amigo, aqui damos a palavra douta ao médico, de você sofrer uma tromboflebite. Já lá andou perto, já lá andou perto.
3- A pernoca esquerda tem menos força por causa de um longínquo e quase imperceptível AVC. Depois com o alongar da idadezinha e das gorduras que o meu amgo foi acumulando, a coisa teve repercussões dramáticas. Desembocou numa cirurgia para colocar uma prótese e que só lhe tem trazido trabalhos, sustos e canseira.
3- Da prótese, para já, estamos conversados. Avancemos, isto, subamos. O estômago está mal por causa dos anti-inflamatórios. Passa mal o meu amigo, você que dizia com orgulho que o seu estomagozinho até digeria ferro.
4- Continuemos a subir. Por causa das canadianas foi o meu amigo contemplado com uma artrose no ombro direito (para já, o esquerdo está a fazer ameaços). Dorme mal, tem dores nocturnas, acordas muitas vezes de noite. O soninho, o soninho, meu amigo e senhor Orlando, que era a coisa mais sagrada para si, foi à viola. Só quando morrer. Será. mas esperemos que isso não seja para já.
5- Tem abelhas nos dos ouvidos que zumbem como uma colmeira.
6- Lixo nos olhos que o não deixam ver bem.
7- O meu amigo não considera os seus oitenta quilos uma maleita. Pelas minhas contas tem dez quilos a mais, não vai morrer de obesidade mórbida, descanse, mas a dormir há-de ter a sua apeneiazinha. Que faz estragos, oh se faz!
Temos mais que falar? Certo. O seu estado de espírito, já sei. As ralações, as suas apoquentações, as suas tristezas e a sensaçãozinha de abandono. Mas isso são outros voos. Olhe, meu amigo, ficam para amanhã.
Nasci a 5 de Agosto
Senhor Orlando,
meu amigo,
amanhã é o momento para recordar o dia em foi tirado das trevas para a luz do sol nascente.
Antes tivesse ficado no uterozinho de sua mãe, que lá é que você se encontrava óptimo.
Mal havia você de imaginar, nem os seus amantíssimos pais, que tanto o amaram e tantos sacrifícios fizeram por você, que muitos anos depois, oh tantos anos depois, haveria de começar um naufrágio que o levará a bater no fundo. Já faltou mais, descanse e não desanime. Regressará o meu amigo às trevas uterinas donde foi tirado a ferros. A ferros, sim, que você, meu caro, não queria sair de lá nem à lei da bala. Mas saíu, que outro remédio não tinha. Ou morria, o que vendo o que tem perspectivado até bater no fundo, seria uma melhor solução.
Senhor Orlando,
meu amigo,
aqui havemos de voltar.
E falar das desditas escuras que lhe foram aconteceram nestes últimos anos.
Costuma o meu amigo dizer, oh quantas vezes o tem dito! que não sabe que pecados cometeu para Deus, nos seus caprichos insondáveis, lhe ter tirado o tapede da saúde.
Há outros piores, vai-se ouvindo por aí. Oh, fraco consolo é o mal dos outros!
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