domingo, 11 de agosto de 2013

Tenho pensado muito no que tem sido a minha queda física dede que fui operado a 25 de Julho de 2013 no hospital particular. Por essa altura e durante alguns meses tinha a cabeça cheia de projectos. Sem o empecilho da perna doente e muito dorida podia caminhar sem grandes entraves. Imaginava-me numa viagem por Cuba, de ponta a ponta, sonhava com uma ida á Noruega, um sonho antigo, de autocaravana. Aos setenta anos, rejuvenescia. Um ano depois, a realidade cai-me em cima da cabeça. Estou bem pior do que estava antes da operação. A perna continua a inchar e a doer-me. POr cuasa das canadianas tenho uma artrose no ombro direito.Quando me mexo ou caminho, a prótese faz um barulho sinistro.
Vejo o meu futuro através de uns óculos negros. Dentro de mim já cabe a esperança, não tenho nada que justifique o levantar pela manhã. Nos momentos de maior tristeza, como está a contecer agora, desesjo que não tivesse recuperado do estado de insconsciência em que caí durante três dias após a operação.
Queria ter alguém a meu lado que me acarinhasse, se preocupasse visivelmente comigo. Não tenho com quem desabafar e a Ana Maria tem apenas uma única preocupação: os netos. Nada mais existe.
Sempre fiquei em segundo plano,isto desde os tempos em que ela dava aulas: "os meus colegas é que são uns gajos porreiros" afirmava repetidamente.
A minha companhia só servia para bombo da festa nos momentos em que ela tinha crises de neurastenia.
Triste sina a minha. Mas na verdade, se as coisas chegaram onde chegaram, em que me não é dado nenhum relevo ou importância, a culpa é minha. Só minha! Nunca dei valor a mim próprio, preocupado e manter a harmonia familiar. Oh, pudesse eu voltar atrás!

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