Senhor Orlando, caro amigo,
oh quanto vale uma amisade! Uma serena amisade, fiel e infalível.
Se bel julgo conhecer o meu amigo, é longa a lista das agruras que lhe minam o corpo, vá deixe que lhe diga e repita que há gentinha que está bem pior que o meu amigo, oh senhor Orlando (Já sei que não gosta que o tratem por sr. Barros porque tal designação está reservada - na sua memória - ao senhor seu pai.
Enumeremos as maleitas físicas que afectam o meu amigo, já que das psicológicas e intelectuias vai o meu amigo de vento em popa, para a idade que tem.
Coçamos pelos pezinhos? O meu amigo é que manda -isto é uma forma circusntancial de falar.
1- Incham-lhe os pés, os dois que é para nenhum se ficar a rir.
2- Inflama-lhe a perna direita, a da prótese. Há sempre o risco do meu amigo, aqui damos a palavra douta ao médico, de você sofrer uma tromboflebite. Já lá andou perto, já lá andou perto.
3- A pernoca esquerda tem menos força por causa de um longínquo e quase imperceptível AVC. Depois com o alongar da idadezinha e das gorduras que o meu amgo foi acumulando, a coisa teve repercussões dramáticas. Desembocou numa cirurgia para colocar uma prótese e que só lhe tem trazido trabalhos, sustos e canseira.
3- Da prótese, para já, estamos conversados. Avancemos, isto, subamos. O estômago está mal por causa dos anti-inflamatórios. Passa mal o meu amigo, você que dizia com orgulho que o seu estomagozinho até digeria ferro.
4- Continuemos a subir. Por causa das canadianas foi o meu amigo contemplado com uma artrose no ombro direito (para já, o esquerdo está a fazer ameaços). Dorme mal, tem dores nocturnas, acordas muitas vezes de noite. O soninho, o soninho, meu amigo e senhor Orlando, que era a coisa mais sagrada para si, foi à viola. Só quando morrer. Será. mas esperemos que isso não seja para já.
5- Tem abelhas nos dos ouvidos que zumbem como uma colmeira.
6- Lixo nos olhos que o não deixam ver bem.
7- O meu amigo não considera os seus oitenta quilos uma maleita. Pelas minhas contas tem dez quilos a mais, não vai morrer de obesidade mórbida, descanse, mas a dormir há-de ter a sua apeneiazinha. Que faz estragos, oh se faz!
Temos mais que falar? Certo. O seu estado de espírito, já sei. As ralações, as suas apoquentações, as suas tristezas e a sensaçãozinha de abandono. Mas isso são outros voos. Olhe, meu amigo, ficam para amanhã.
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